Módulo I · Unidade 1.2

Ser tutor é mais do que acompanhar atividades: é mobilizar competências pedagógicas, comunicacionais, tecnológicas e relacionais para mediar a aprendizagem e transformar experiências.

Capa da unidade 1.2: um tutor mediador ao centro, cercado pelos ícones das competências pedagógica, comunicacional, tecnológica e organizacional-relacional, conectando-se com cursistas.

Para começar

Abertura da Unidade

Na unidade anterior, refletimos sobre a identidade profissional do tutor, sua trajetória histórica na Educação a Distância e a importância da diversidade, da inclusão e da comunicação acolhedora nos processos formativos. Mas talvez algumas perguntas ainda permanecem em aberto:

Para refletir

  • O que um tutor precisa saber e ser capaz de fazer para acompanhar a aprendizagem de forma efetiva?
  • Será suficiente dominar os conteúdos do curso?
  • Basta conhecer as ferramentas tecnológicas utilizadas no Ambiente Virtual de Aprendizagem?
  • Ou a atuação tutorial exige um conjunto mais amplo de conhecimentos, habilidades e atitudes?

Essas questões nos conduzem ao tema desta unidade.

Quando pensamos na atuação de um tutor, é comum associarmos seu trabalho ao acompanhamento de atividades, à orientação dos estudantes ou ao uso de tecnologias educacionais. No entanto, a prática tutorial envolve desafios muito mais amplos. A cada interação realizada, a cada feedback enviado e a cada situação de aprendizagem acompanhada, o tutor mobiliza conhecimentos, habilidades, atitudes e valores que influenciam diretamente a experiência formativa dos cursistas.

Nesse sentido, a Educação a Distância nos convida a compreender que a aprendizagem não acontece apenas porque os conteúdos foram disponibilizados ou atividades foram propostas. Aprender é um processo que envolve interação, diálogo, acompanhamento e construção de sentidos. Como afirmam Moore e Kearsley (2013), a qualidade dos processos formativos em EaD está diretamente relacionada à capacidade de promover interação significativa entre estudantes, conteúdos e instituições, reduzindo a distância transacional e fortalecendo os vínculos com a aprendizagem. É nesse contexto que a atuação do tutor assume papel estratégico.

Mais do que oferecer suporte operacional, o tutor atua como mediador da aprendizagem, contribuindo para que os estudantes encontrem condições para participar, refletir, dialogar e construir conhecimentos ao longo de seus percursos formativos. Para desempenhar essa função, é necessário desenvolver competências que articulem conhecimentos pedagógicos, habilidades comunicacionais, domínio tecnológico, capacidade de organização e sensibilidade para compreender as necessidades dos estudantes.

Freire (1996) nos lembra que ensinar não significa transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua construção. Essa perspectiva nos ajuda a compreender que a atuação tutorial exige muito mais do que domínio de conteúdos ou ferramentas digitais. Exige a capacidade de acompanhar pessoas, acolher diferentes trajetórias, incentivar a autonomia e promover experiências de aprendizagem significativas.

Por isso, o objetivo de aprendizagem desta unidade é desenvolver a compreensão sobre as competências profissionais e pedagógicas necessárias à atuação do tutor na mediação da aprendizagem, reconhecendo que a qualidade da tutoria depende da articulação entre conhecimentos, habilidades e atitudes que favoreçam o engajamento, a participação e a permanência dos cursistas.

Ao longo deste percurso, refletiremos sobre as competências que sustentam a prática tutorial e sobre a função pedagógica do tutor nos ambientes de aprendizagem. Mais do que identificar atribuições ou responsabilidades, nosso convite é que você analise sua própria atuação e reflita sobre quais competências precisam ser continuamente desenvolvidas para fortalecer sua prática profissional.

Saiba mais

Como destaca Perrenoud (2000), desenvolver competências significa aprender a mobilizar conhecimentos diante de situações concretas, tomando decisões e construindo respostas para os desafios encontrados na prática. É exatamente esse movimento que faremos nesta unidade.

Ao iniciar esta unidade do curso Tutoria em Ação: FPE/FNDE, é importante lembrar que a atuação tutorial que estamos discutindo não ocorre em um contexto abstrato ou genérico. Ela está diretamente relacionada aos processos formativos desenvolvidos pelo Programa Formação pela Escola (FPE), uma iniciativa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) voltada à formação de cidadãos, profissionais da educação, gestores públicos, conselheiros e demais participantes interessados em fortalecer o controle social e a gestão das políticas educacionais.

Nesse contexto, o tutor assume um papel fundamental. Mais do que acompanhar atividades ou orientar procedimentos, ele contribui para que os cursistas construam conhecimentos, compartilhem experiências e compreendam a relevância das políticas públicas educacionais para a garantia do direito à educação de qualidade.

Ao longo desta unidade 2, refletiremos sobre as competências e a função pedagógica da tutoria, sempre considerando os desafios e as especificidades da atuação no âmbito do Programa Formação pela Escola. Afinal, acompanhar a aprendizagem em cursos do FPE significa também contribuir para a formação de sujeitos capazes de compreender, acompanhar e fortalecer as ações educacionais desenvolvidas pelo FNDE em todo o território nacional.

Mas, para que essa atuação aconteça de forma intencional e significativa, uma questão precisa ser respondida: quais competências um tutor precisa desenvolver para mediar processos de aprendizagem em ambientes virtuais e contribuir efetivamente para o sucesso dos cursistas?

É sobre essa questão que começaremos nossa reflexão a seguir.

Vamos começar?

Competências do tutor

2.1 Competências do Tutor

Ao refletirmos sobre a atuação tutorial no âmbito do Programa Formação pela Escola (FPE/FNDE), algumas perguntas se tornam inevitáveis.

Para Refletir

  • O que torna um tutor capaz de acompanhar, orientar e apoiar os cursistas ao longo de seus percursos formativos?
  • Será suficiente conhecer os conteúdos dos cursos?
  • Basta dominar as funcionalidades do Ambiente Virtual de Aprendizagem?
  • Ou a atuação tutorial exige algo mais?

Se você respondeu que um tutor precisa conhecer os conteúdos dos cursos e dominar as ferramentas do Ambiente Virtual de Aprendizagem, sua resposta está correta, mas talvez ainda não seja suficiente para explicar a complexidade da atuação tutorial.

Na Educação a Distância, acompanhar a aprendizagem envolve muito mais do que transmitir informações ou orientar procedimentos técnicos. O tutor atua junto a pessoas que possuem diferentes trajetórias, experiências, ritmos de aprendizagem, expectativas e necessidades formativas.

Por isso, além do conhecimento dos conteúdos e das tecnologias utilizadas nos cursos, a atuação tutorial exige a mobilização de competências pedagógicas, comunicacionais, tecnológicas, organizacionais e relacionais.

Pense, por exemplo, em uma situação na qual um cursista apresenta dificuldades para acompanhar os estudos. Nessa circunstância, não basta apenas conhecer o conteúdo do curso. É necessário saber acolher dúvidas, interpretar necessidades, orientar percursos de aprendizagem, utilizar estratégias de comunicação adequadas e incentivar a permanência do estudante. Da mesma forma, dominar o Ambiente Virtual de Aprendizagem é importante, mas a tecnologia, por si só, não garante a aprendizagem. Como destacam Moore e Kearsley (2013), a qualidade da Educação a Distância depende da interação significativa entre estudantes, conteúdos e instituições. É justamente nesse processo que a atuação do tutor se torna fundamental.

Nesse sentido, a competência profissional do tutor não está apenas no que ele sabe, mas na capacidade de mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes para responder aos desafios concretos da prática educativa. Como afirma Perrenoud (2000), ser competente significa saber agir de forma pertinente diante de situações reais e complexas.

Ao longo desta unidade, veremos que a atuação tutorial exige uma combinação de conhecimentos pedagógicos, habilidades comunicacionais, domínio tecnológico e sensibilidade humana. Essas competências são essenciais para promover a aprendizagem, o engajamento e a permanência dos cursistas nos processos formativos.

Por isso, ao continuar seus estudos, procure retomar essas questões e refletir:

  1. Que competências você já mobiliza em sua prática?
  2. Quais delas ainda precisam ser fortalecidas para qualificar sua atuação como tutor(a)?

Destaque

Pense por um instante em uma situação bastante comum nos cursos do Formação pela Escola.

Um cursista acessa regularmente os materiais, mas participa pouco das atividades. Outro apresenta dificuldades para compreender determinados conteúdos. Há também aqueles que conciliam estudo, trabalho, família e múltiplas responsabilidades cotidianas.

Diante de situações como essas, o tutor precisa tomar decisões, estabelecer estratégias de acompanhamento, oferecer orientações e criar condições para que os estudantes permaneçam engajados em seus processos de aprendizagem.

É nesse contexto que a discussão sobre competências ganha relevância.

Saiba mais

Segundo Perrenoud (2000), competência não pode ser reduzida ao simples domínio de informações ou procedimentos. Ela corresponde à capacidade de mobilizar conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para enfrentar situações reais, interpretar problemas e tomar decisões de forma contextualizada.

Essa compreensão é particularmente importante para a atuação tutorial. Afinal, o cotidiano da tutoria não é composto apenas por tarefas previamente definidas. Ele envolve situações diversas que exigem sensibilidade, capacidade de análise, comunicação, organização e tomada de decisão.

Por isso, ser competente não significa apenas saber algo. Significa saber agir diante dos desafios concretos da prática profissional.

Quando trazemos essa discussão para a Educação a Distância e, especificamente, para os cursos do Programa Formação pela Escola, percebemos que o trabalho tutorial envolve muito mais do que o acompanhamento de atividades ou o esclarecimento de dúvidas.

O tutor atua como mediador da aprendizagem, facilitador da comunicação, incentivador da participação e articulador das experiências formativas dos cursistas.

Belloni (2015) destaca que a Educação a Distância exige profissionais capazes de integrar diferentes competências para responder à complexidade dos ambientes de aprendizagem contemporâneos. Da mesma forma, Moore e Kearsley (2013) ressaltam que a qualidade dos processos formativos depende da capacidade de promover interação significativa, acompanhamento pedagógico e diálogo permanente com os estudantes.

Essa compreensão dialoga diretamente com os princípios que orientam o Programa Formação pela Escola. Ao promover formação voltada para a compreensão das políticas públicas educacionais, da gestão dos programas do FNDE e do fortalecimento do controle social, o FPE demanda uma atuação tutorial comprometida com a aprendizagem, a participação e a permanência dos cursistas.

Mas quais competências são essenciais para essa atuação?

Embora existam diferentes formas de classificá-las, para fins didáticos podemos organizá-las em quatro dimensões complementares e interdependentes. Em outras palavras, são as competências que sustentam a dimensão educativa da tutoria.

Fonte: Elaborado pela autora com auxílio de inteligência artificial (ChatGPT/OpenAI, 2026), com base em Freire (1996), Moore e Kearsley (2013), Belloni (2015) e Moran, Masetto e Behrens (2018).

Para exercer essa função de forma efetiva, é fundamental mobilizar competências pedagógicas, relacionadas à organização e condução do processo de ensino e aprendizagem; competências tecnológicas, necessárias para o uso crítico e eficiente das ferramentas digitais; competências comunicacionais, que favorecem o diálogo, a escuta ativa e a interação nos diferentes espaços de aprendizagem; e competências relacionais e organizacionais, essenciais para o acolhimento dos cursistas, a gestão do tempo, o acompanhamento das atividades e a construção de um ambiente colaborativo. O desenvolvimento integrado dessas competências contribui para qualificar a atuação tutorial e fortalecer os processos educativos na modalidade a distância. Vamos entender um pouco mais sobre isso?

2.1.1 Competências Pedagógicas

Retomando o questionamento: Quando pensamos na atuação de um tutor, qual é a primeira imagem que vem à sua mente?

Talvez você tenha imaginado alguém respondendo dúvidas, acompanhando atividades ou orientando estudantes ao longo do curso. Embora essas ações façam parte do trabalho tutorial, elas revelam apenas uma parte daquilo que chamamos de competência pedagógica.

Mas afinal, o que significa possuir competências pedagógicas?

Significa compreender como as pessoas aprendem e ser capaz de criar condições para que a aprendizagem aconteça de forma significativa.

Para Moran (2015), aprender implica participar ativamente de processos de interação, experimentação e construção de significados, em que o educador assume o papel de orientador e mediador da aprendizagem. Nessa perspectiva, o tutor desempenha função essencial ao estimular a participação dos cursistas, promover o diálogo e apoiar a construção coletiva do conhecimento nos ambientes virtuais de aprendizagem.

Imagine, por exemplo, que um participante do Programa Formação pela Escola esteja com dificuldades para compreender determinado conteúdo relacionado às políticas públicas educacionais. Nesse caso, a atuação pedagógica do tutor não consiste apenas em indicar onde está a resposta no material didático. Ela envolve ajudar o cursista a estabelecer relações entre os conceitos estudados, sua experiência profissional e a realidade educacional em que atua.

Fonte: Elaborado pela autora com auxílio de inteligência artificial (ChatGPT/OpenAI, 2026), com base em Freire (1996), Moore e Kearsley (2013), Belloni (2015) e Moran, Masetto e Behrens (2018).

Como destaca Moran (2018), os processos educativos contemporâneos exigem profissionais capazes de criar experiências de aprendizagem mais participativas, colaborativas e significativas. Nesse sentido, a competência pedagógica constitui um dos pilares da atuação tutorial.

2.1.2 Competências Comunicacionais

Agora, convidamos você a fazer uma breve reflexão: buscando novamente as questões:

  1. Você já recebeu uma mensagem que o motivou a continuar estudando?
  2. E/ou alguma comunicação que produziu exatamente o efeito contrário?

Na Educação a Distância, grande parte das interações ocorre por meio da linguagem escrita. Muitas vezes, os estudantes conhecem seus tutores não pela presença física, mas pelas mensagens, orientações e feedbacks que recebem ao longo do curso. Por isso, comunicar-se bem não é apenas uma habilidade complementar. É uma competência essencial para a atuação tutorial.

Freire (1996) afirma que o diálogo constitui um elemento central dos processos educativos. Para o autor, educar exige disponibilidade para ouvir, acolher e construir relações pautadas pelo respeito e pela escuta. Mas o que isso significa na prática?

Imagine que um cursista envie uma mensagem dizendo que está pensando em desistir do curso por não conseguir acompanhar as atividades.

Resposta meramente burocrática

Uma resposta meramente burocrática poderia limitar-se a informar prazos ou procedimentos.

Comunicação pedagógica

Uma comunicação pedagógica, por outro lado, busca compreender a situação, acolher a dificuldade apresentada e orientar possíveis caminhos para a continuidade dos estudos.

Fonte: Elaborado pela autora com auxílio de inteligência artificial (ChatGPT/OpenAI, 2026), com base em Freire (1996), Moore e Kearsley (2013), Belloni (2015) e Moran, Masetto e Behrens (2018).

Como destacam Moore e Kearsley (2013), a interação constitui um dos elementos centrais da qualidade da Educação a Distância. Por isso, a comunicação não é apenas um meio para transmitir informações. Ela é parte constitutiva do processo de aprendizagem.

2.1.3 Competências Tecnológicas

Quando falamos em Educação a Distância, é bastante comum associarmos a atuação do tutor às tecnologias digitais. Mas vamos fazer uma breve reflexão.

Para refletir

Será que dominar tecnologias significa apenas saber acessar plataformas, navegar pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem ou utilizar ferramentas digitais?

Será que conhecer os recursos tecnológicos disponíveis é suficiente para promover a aprendizagem?

Provavelmente, você já percebeu que a resposta é não.

As tecnologias são importantes, mas a aprendizagem não acontece por causa delas. Ela acontece por meio das interações, das mediações e das experiências educativas que são construídas com seu apoio.

Nesse sentido, vale lembrar que uma ferramenta, por si só, não ensina ninguém. Um fórum de discussão não promove automaticamente o diálogo. Um ambiente virtual não garante participação. Um recurso digital não assegura aprendizagem apenas por estar disponível. O que faz a diferença é a forma como essas tecnologias são utilizadas nos processos educativos.

Almeida (2013) destaca que as tecnologias digitais ampliam as possibilidades de interação, comunicação, colaboração e construção do conhecimento. Entretanto, esses potenciais somente se concretizam quando o uso das tecnologias é orientado por intencionalidade pedagógica.

Isso significa que o tutor não utiliza recursos digitais apenas porque eles existem ou porque estão disponíveis no ambiente virtual. Ele os utiliza porque podem contribuir para favorecer a aprendizagem, fortalecer a comunicação e ampliar as oportunidades de participação dos cursistas.

No contexto do Programa Formação pela Escola, essa competência assume papel ainda mais relevante. Os cursos do FPE reúnem participantes com diferentes perfis, experiências profissionais, níveis de familiaridade com tecnologias digitais e realidades regionais. Em uma mesma turma, podem coexistir cursistas que utilizam recursos digitais diariamente e outros que ainda estão construindo maior familiaridade com os ambientes virtuais de aprendizagem.

Diante dessa diversidade, a atuação do tutor exige sensibilidade para compreender as necessidades dos estudantes e apoiá-los no uso dos recursos tecnológicos disponíveis.

Imagine, por exemplo, a seguinte situação:

Para refletir

Ao acompanhar os indicadores do Ambiente Virtual de Aprendizagem, você percebe que uma atividade apresenta baixa participação. Os dados mostram que muitos cursistas acessaram os conteúdos, mas poucos realizaram a atividade proposta.

O que fazer diante dessa situação?

Seria suficiente registrar a informação e aguardar os próximos acessos?

Ou seria necessário investigar possíveis dificuldades, enviar mensagens de orientação, esclarecer dúvidas e estimular a participação?

Nesse caso, a competência tecnológica não está apenas na capacidade de acessar os relatórios do sistema. Ela está na habilidade de interpretar os dados disponíveis e transformá-los em ações pedagógicas capazes de apoiar os estudantes.

Moran (2018) lembra que as tecnologias digitais devem estar a serviço da aprendizagem. Por isso, seu uso precisa ser acompanhado de estratégias que favoreçam interação, engajamento, autonomia e construção colaborativa do conhecimento.

Da mesma forma, Moore e Kearsley (2013) destacam que a qualidade da Educação a Distância depende da capacidade de promover interações significativas entre estudantes, conteúdos e instituições. As tecnologias tornam essas interações possíveis, mas é a mediação pedagógica que lhes atribui sentido educativo.

Assim, as competências tecnológicas envolvem muito mais do que habilidades operacionais. Elas incluem a capacidade de:

Fonte: Elaborado pela autora com auxílio de inteligência artificial (ChatGPT/OpenAI, 2026), com base em Freire (1996), Moore e Kearsley (2013), Belloni (2015) e Moran, Masetto e Behrens (2018).

Quando essas competências são mobilizadas de forma intencional, a tecnologia deixa de ser apenas um instrumento operacional e passa a atuar como uma aliada da aprendizagem, da comunicação e da permanência dos cursistas.

Em outras palavras, não é a tecnologia que torna a Educação a Distância mais humana, participativa ou significativa. São as escolhas pedagógicas realizadas pelos profissionais que utilizam essas tecnologias.

E é justamente nesse ponto que a atuação do tutor faz toda a diferença.

2.1.4 Competências Organizacionais e Relacionais

Vamos imaginar uma situação bastante comum nos cursos do Programa Formação pela Escola (FPE/FNDE).

Para refletir

Uma turma inicia o curso com entusiasmo. Nas primeiras semanas, os fóruns registram elevada participação, as atividades são realizadas dentro dos prazos e os cursistas demonstram interesse pelos temas estudados.

No entanto, à medida que o curso avança, algo começa a mudar.

Alguns participantes deixam de acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem com frequência. Outros passam a entregar atividades em atraso. Há também aqueles que continuam acessando os conteúdos, mas reduzem significativamente sua participação nas discussões e interações propostas.

Diante desse cenário, o que um tutor deve fazer?

  1. Como identificar esses sinais?
  2. Como diferenciar uma dificuldade pontual de uma situação que pode levar à evasão?
  3. Como planejar ações capazes de apoiar esses estudantes antes que se afastem definitivamente do percurso formativo?

Responder a essas questões exige um conjunto de competências que, muitas vezes, permanecem pouco visíveis nos processos educativos, mas que são fundamentais para a qualidade da tutoria: as competências organizacionais e relacionais.

Quando pensamos em organização, é comum imaginarmos apenas planilhas, cronogramas e controle de atividades. Embora esses elementos sejam importantes, a dimensão organizacional da tutoria é muito mais ampla.

Ela envolve a capacidade de acompanhar processos, interpretar informações, planejar ações e tomar decisões pedagógicas com base em evidências.

No contexto da Educação a Distância, o tutor precisa acompanhar indicadores de participação, monitorar o cumprimento das atividades, observar padrões de interação e identificar possíveis sinais de dificuldades de aprendizagem ou risco de evasão.

Exemplo

Imagine, por exemplo, que os relatórios do AVA indiquem que um grupo de cursistas deixou de acessar o ambiente por mais de dez dias. O dado, por si só, não resolve o problema. É preciso interpretá-lo.

  • Esses estudantes estão enfrentando dificuldades técnicas?
  • Estão com dúvidas sobre os conteúdos?
  • Possuem dificuldades para organizar o tempo de estudo?
  • Ou perderam o vínculo com o curso?

Perceba que a organização não está apenas no controle das informações, mas na capacidade de utilizá-las para orientar decisões pedagógicas.

Nesse sentido, Belloni (2015) destaca que a atuação na Educação a Distância exige profissionais capazes de acompanhar processos complexos e articular diferentes estratégias de intervenção pedagógica, sempre considerando as necessidades dos estudantes.

Mas as competências organizacionais representam apenas uma parte dessa discussão. A outra dimensão, igualmente importante, está relacionada às competências relacionais.

Para refletir

E aqui vale uma reflexão.

  • Você já permaneceu em um curso, projeto ou atividade porque se sentiu acolhido, respeitado e valorizado?
  • Da mesma forma, já se afastou de algum processo formativo porque sentiu que sua participação não fazia diferença?

Essas experiências nos ajudam a compreender que a aprendizagem não é apenas um processo cognitivo. Ela também é relacional.

Tardif (2014) afirma que o trabalho dos profissionais da educação se constrói por meio das relações estabelecidas com outras pessoas. Isso significa que ensinar, orientar e acompanhar estudantes envolve permanentemente processos de interação, diálogo e construção de vínculos.

Na Educação a Distância, essa dimensão assume papel ainda mais relevante. Como os encontros presenciais são reduzidos ou inexistentes, os vínculos precisam ser construídos por meio das interações realizadas nos ambientes virtuais.

Por isso, as competências relacionais envolvem a capacidade de:

Fonte: Elaborado pela autora com auxílio de inteligência artificial (ChatGPT/OpenAI, 2026), com base em Freire (1996), Moore e Kearsley (2013), Belloni (2015) e Moran, Masetto e Behrens (2018).

Moore e Kearsley (2013) destacam que a interação constitui um dos pilares da Educação a Distância. Quanto mais os estudantes se sentem conectados ao processo formativo, maiores tendem a ser seus níveis de participação, engajamento e permanência.

No âmbito do Programa Formação pela Escola, essa questão é particularmente importante. Os cursos reúnem participantes com diferentes trajetórias profissionais, experiências de vida e níveis de familiaridade com os ambientes digitais. Construir relações pautadas pela escuta, pelo respeito e pelo diálogo contribui para que todos se sintam acolhidos e capazes de participar ativamente dos processos formativos. Assim, as competências organizacionais e relacionais permitem ao tutor:

Fonte: Elaborado pela autora com auxílio de inteligência artificial (ChatGPT/OpenAI, 2026), com base em Freire (1996), Moore e Kearsley (2013), Belloni (2015) e Moran, Masetto e Behrens (2018).

Ao mobilizar essas competências, o tutor deixa de atuar apenas como alguém que acompanha atividades e passa a desempenhar um papel fundamental na construção de percursos formativos mais humanos, participativos e significativos.

Em outras palavras, organizar e acompanhar são ações importantes. Mas é a combinação entre planejamento, cuidado, diálogo e construção de vínculos que transforma o acompanhamento em uma verdadeira experiência de mediação pedagógica.

E é justamente essa articulação entre competências pedagógicas, comunicacionais, tecnológicas, organizacionais e relacionais que sustenta a função pedagógica do tutor, tema que aprofundaremos na próxima seção.

Ao observarmos essas quatro dimensões, percebemos que elas não atuam isoladamente. Pelo contrário, elas se articulam continuamente na prática tutorial.

Destaque

Quando um tutor acompanha um estudante com dificuldades, oferece um feedback acolhedor e utiliza os recursos do AVA para monitorar sua participação, está mobilizando simultaneamente competências pedagógicas, comunicacionais, tecnológicas, organizacionais e relacionais.

É essa integração que fortalece a atuação tutorial e contribui para a construção de experiências de aprendizagem significativas.

É essa integração que fortalece a atuação tutorial e contribui para a construção de experiências de aprendizagem significativas.

Quando acompanha indicadores de participação e identifica estudantes em risco de evasão, articula competências tecnológicas, organizacionais e pedagógicas.

Por isso, podemos afirmar que a atuação tutorial é uma prática integrada, dinâmica e profundamente humana.

Mas compreender as competências necessárias para atuar como tutor é apenas parte da discussão.

Afinal, qual é a principal função pedagógica da tutoria? Como essas competências se traduzem em ações concretas de mediação da aprendizagem?

É sobre essas questões que refletiremos na próxima seção.

Saiba mais

Competência não é apenas conhecimento. Ter acesso à informação não garante uma atuação competente.

Uma competência se manifesta quando somos capazes de mobilizar conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para compreender situações, tomar decisões e agir de forma intencional diante dos desafios da prática profissional.

Por isso, o desenvolvimento de competências envolve estudo, reflexão, experiência e aperfeiçoamento contínuo.

Como destaca Perrenoud (2000), ninguém se torna competente apenas acumulando informações. As competências se constroem na articulação entre teoria e prática, reflexão e ação.

Muitas vezes as pessoas confundem habilidades, competências e atitudes, montamos um infográfico para facilitar sua compreensão sobre essas situações:

Fonte: Elaborado pela autora com auxílio de inteligência artificial (ChatGPT/OpenAI, 2026), com base em Freire (1996), Moore e Kearsley (2013), Belloni (2015) e Moran, Masetto e Behrens (2018).

Ao longo desta seção, refletimos sobre as diferentes competências que sustentam a atuação tutorial na Educação a Distância. Vimos que ser tutor não significa apenas dominar conteúdos, utilizar tecnologias ou acompanhar atividades. Significa mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes que permitem compreender os estudantes, orientar percursos formativos, promover interações significativas e apoiar a aprendizagem de forma intencional e comprometida.

Também percebemos que as competências pedagógicas, comunicacionais, tecnológicas, organizacionais e relacionais não atuam de forma isolada. Na prática, elas se articulam continuamente diante dos desafios encontrados no acompanhamento dos cursistas. Quando um tutor identifica dificuldades de aprendizagem, oferece um feedback construtivo, utiliza os recursos do AVA para monitorar a participação e estabelece um diálogo acolhedor com os estudantes, está mobilizando simultaneamente diferentes competências em favor da aprendizagem.

Mas compreender quais competências são necessárias para a atuação tutorial nos leva a uma nova questão: qual é a finalidade de mobilizar todas essas competências? Em outras palavras, qual é a principal contribuição do tutor para os processos educativos desenvolvidos no âmbito do Programa Formação pela Escola?

Responder a essa pergunta exige aprofundarmos nossa compreensão sobre a própria natureza da tutoria. Afinal, mais importante do que saber o que o tutor faz é compreender por que ele faz e qual o sentido pedagógico de sua atuação.

É exatamente sobre essa dimensão que conversaremos a seguir, ao refletirmos sobre a função pedagógica do tutor e seu papel como mediador da aprendizagem nos processos formativos do FPE/FNDE.

Responder a essa pergunta exige aprofundarmos nossa compreensão sobre a própria natureza da tutoria. Afinal, mais importante do que saber o que o tutor faz é compreender por que ele faz e qual o sentido pedagógico de sua atuação.

É exatamente sobre essa dimensão que conversaremos a seguir, ao refletirmos sobre a função pedagógica do tutor e seu papel como mediador da aprendizagem nos processos formativos do FPE/FNDE.

Função pedagógica

2.2 Função Pedagógica do Tutor

Na seção anterior, refletimos sobre as competências necessárias para a atuação tutorial. Discutimos competências pedagógicas, comunicacionais, tecnológicas, organizacionais e relacionais, compreendendo que elas são fundamentais para acompanhar os cursistas ao longo de seus percursos formativos.

Para refletir

Mas talvez uma questão ainda permaneça em aberto:

Por que essas competências são tão importantes? Ou, formulando a pergunta de outra maneira:

Para que o tutor mobiliza todas essas competências no contexto da Educação a Distância?

A resposta nos conduz ao coração da atuação tutorial: sua função pedagógica.

Antes de prosseguirmos, convidamos você a fazer uma breve reflexão.

  • Ao lembrar de sua trajetória como estudante, quais educadores deixaram marcas mais significativas em sua formação?
  • Foram apenas aqueles que dominavam profundamente os conteúdos?
  • Ou aqueles que souberam escutar, orientar, desafiar, incentivar e apoiar seu desenvolvimento ao longo do caminho?

Em geral, as experiências de aprendizagem mais significativas estão associadas não apenas ao conhecimento transmitido, mas às relações construídas durante o processo educativo.

Essa reflexão é importante porque nos ajuda a compreender que, mesmo em ambientes mediados por tecnologias, a aprendizagem continua sendo uma experiência essencialmente humana.

Os recursos digitais ampliam possibilidades de acesso à informação, aproximam pessoas geograficamente distantes e diversificam as formas de interação. Entretanto, como destacam Moore e Kearsley (2013), a simples disponibilização de conteúdos e tecnologias não garante, por si só, a aprendizagem. É necessário promover interação, acompanhamento e diálogo pedagógico capazes de atribuir significado às experiências formativas.

É nesse contexto que a função pedagógica do tutor ganha relevância. No âmbito do Programa Formação pela Escola (FPE/FNDE), essa função assume um papel estratégico. Os cursos do programa, como já mencionado, reúnem participantes com diferentes trajetórias profissionais, níveis de experiência, contextos institucionais e expectativas de aprendizagem. A mediação pedagógica realizada pelo tutor contribui para que esses cursistas não apenas acessem os conteúdos, mas consigam relacioná-los aos desafios concretos de sua atuação e à compreensão das políticas públicas educacionais desenvolvidas pelo FNDE.

Mas o que significa, afinal, mediar a aprendizagem?

Freire (1996) nos oferece uma importante pista ao afirmar que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produção e construção. Essa compreensão rompe com a ideia de que o processo educativo consiste apenas na transmissão de informações e nos convida a pensar a aprendizagem como uma construção ativa realizada pelos próprios estudantes.

Nessa perspectiva, o tutor não ocupa o lugar de quem entrega respostas prontas. Seu papel é criar condições para que os cursistas questionem, investiguem, relacionem conhecimentos, compartilhem experiências e atribuam significado aos conteúdos estudados.

Por isso, a mediação pedagógica envolve muito mais do que acompanhar atividades ou responder dúvidas. Ela envolve:

  • Estimular a reflexão crítica.
  • Promover o diálogo.
  • Favorecer a participação.
  • Incentivar a autonomia.
  • Acompanhar percursos de aprendizagem.
  • E apoiar os estudantes diante dos desafios encontrados ao longo do processo formativo.

Moran (2018) destaca que os processos educativos contemporâneos exigem práticas capazes de colocar os estudantes em posição ativa diante da aprendizagem. Isso significa que o foco deixa de estar exclusivamente no ensino e passa a incluir, de forma mais intensa, os processos pelos quais os sujeitos aprendem, interagem e constroem conhecimentos.

Nesse cenário, o tutor atua como alguém que ajuda os cursistas a transformar informações em aprendizagem significativa.

Destaque

Mas como essa mediação acontece na prática?

Ela se concretiza quando o tutor:

  • orienta estudantes diante de dificuldades de aprendizagem;
  • promove interações significativas nos fóruns e espaços colaborativos;
  • incentiva a reflexão crítica sobre os conteúdos estudados;
  • oferece feedbacks que favorecem o avanço da aprendizagem;
  • acompanha a participação e o desenvolvimento dos cursistas;
  • estimula a autonomia e o protagonismo dos estudantes;
  • relaciona os conteúdos do curso às experiências profissionais dos participantes.

Imagine, por exemplo, um cursista que demonstra dificuldade para compreender determinado tema relacionado à gestão de programas educacionais. Uma atuação centrada apenas na transmissão de informações poderia limitar-se a indicar a leitura de um texto ou o acesso a um material complementar.

Já uma mediação pedagógica envolve dialogar sobre a dificuldade apresentada, estimular conexões com a prática profissional do cursista, propor novas formas de compreensão e oferecer orientações que favoreçam a construção do conhecimento.

É exatamente nesse movimento que a função pedagógica da tutoria se concretiza.

Masetto (2013) afirma que a mediação pedagógica consiste na criação de situações que favoreçam aprendizagens significativas, ajudando os estudantes a estabelecer relações entre conhecimentos, experiências e contextos de atuação.

Assim, o tutor deixa de ser visto como mero transmissor de informações ou executor de procedimentos administrativos. Ele passa a atuar como facilitador da aprendizagem, articulador de experiências formativas e promotor de interações capazes de fortalecer o engajamento e a permanência dos cursistas.

Em outras palavras, a função pedagógica da tutoria consiste em criar pontes: entre estudantes e conhecimentos, entre teoria e prática, entre experiências individuais e aprendizagem coletiva.

E é justamente essa capacidade de construir conexões que torna a atuação tutorial tão importante para o sucesso dos processos formativos desenvolvidos no âmbito do Programa Formação pela Escola.

2.2.1 Acompanhamento e permanência

Você já observou que muitos estudantes iniciam cursos com entusiasmo, mas nem sempre conseguem concluí-los?

Diversos fatores podem influenciar esse processo: dificuldades de organização do tempo, desafios profissionais, responsabilidades familiares, insegurança diante dos conteúdos ou até mesmo sentimento de isolamento, nesse contexto a atuação tutorial assume papel estratégico.

Moore e Kearsley (2013) explicam que a interação e o acompanhamento pedagógico são elementos fundamentais para reduzir a distância transacional e fortalecer os vínculos dos estudantes com o processo de aprendizagem.

Quando o tutor acompanha a participação, identifica dificuldades e estabelece canais de diálogo, contribui para que os estudantes se sintam pertencentes ao percurso formativo.

Assim, acompanhar não significa fiscalizar, mas sim apoiar e estar atento aos sinais que indicam dificuldades e buscar estratégias que favoreçam a permanência e o sucesso dos cursistas.

Para refletir

Mas vale uma reflexão: qual é o objetivo maior desse acompanhamento?

Será que a atuação do tutor busca criar estudantes cada vez mais dependentes de orientações externas? Ou busca fortalecer sua capacidade de aprender, tomar decisões e conduzir seus próprios percursos formativos?

Freire (1996) nos lembra que educar implica favorecer processos de emancipação e desenvolvimento da autonomia. Da mesma forma, Moran (2018) destaca que os ambientes educacionais contemporâneos devem estimular o protagonismo dos estudantes, criando condições para que participem ativamente da construção do conhecimento.

Nesse sentido, o feedback assume uma função que vai além do acompanhamento pedagógico imediato. Ele se transforma em um instrumento de desenvolvimento da autonomia, ajudando os cursistas a reconhecer seus avanços, identificar desafios e construir estratégias para continuar aprendendo. É justamente sobre essa importante dimensão da aprendizagem que refletiremos a seguir.

2.2.2 Autonomia do estudante

Nesta unidade, temos discutido a importância da mediação pedagógica, do acompanhamento e do feedback formativo. Mas vale a pena refletir sobre uma questão fundamental:

Para refletir

Qual é a finalidade maior de todo esse processo de acompanhamento realizado pelo tutor?

Será que o objetivo é fazer com que os cursistas dependam cada vez mais das orientações recebidas? Ou seria justamente o contrário?

Na Educação a Distância, uma das finalidades mais importantes dos processos formativos é favorecer o desenvolvimento da autonomia dos estudantes. No entanto, é importante compreendermos que autonomia não significa isolamento, nem aprendizagem solitária.

Você provavelmente já ouviu a expressão de que, na EaD, "cada estudante aprende sozinho". Mas será que isso é verdade?

Quando observamos os processos educativos, percebemos que a autonomia não nasce da ausência de apoio. Ela se constrói por meio das experiências, das interações e das mediações que ocorrem ao longo da trajetória formativa.

Freire (1996) nos lembra que a autonomia é uma conquista progressiva. Ela se desenvolve quando os sujeitos são incentivados a pensar criticamente, tomar decisões, assumir responsabilidades e participar ativamente da construção do conhecimento. Em outras palavras, ninguém se torna autônomo por decreto; a autonomia é construída na relação com o outro e com o mundo.

Essa compreensão é particularmente importante para a atuação tutorial no âmbito do Programa Formação pela Escola (FPE/FNDE). Os cursistas chegam aos cursos trazendo diferentes experiências profissionais, níveis de familiaridade com os ambientes digitais e formas distintas de organizar seus estudos. Nesse contexto, a atuação do tutor contribui para que cada participante desenvolva, gradualmente, maior segurança e independência em seu percurso de aprendizagem.

Mas como isso acontece na prática?

Moran (2018) destaca que os ambientes educacionais contemporâneos precisam favorecer o protagonismo dos estudantes, criando oportunidades para que eles assumam papel ativo na construção do conhecimento. Nessa perspectiva, o tutor não atua para substituir a iniciativa dos cursistas, mas para fortalecê-la.

Imagine, por exemplo, um estudante que encontra dificuldades para compreender determinado conteúdo. Em vez de simplesmente indicar a resposta correta, o tutor pode propor questões orientadoras, sugerir novas leituras ou ajudar o cursista a estabelecer relações entre o conteúdo estudado e sua prática profissional. Com isso, estimula processos de análise, reflexão e construção do conhecimento que fortalecem a autonomia.

Assim, podemos afirmar que o objetivo da mediação tutorial não é criar dependência. Pelo contrário, o propósito é criar condições para que os estudantes desenvolvam progressivamente a capacidade de organizar seus estudos, tomar decisões, monitorar sua própria aprendizagem e assumir protagonismo em seus percursos formativos.

Mas aqui surge uma nova questão.

Se a autonomia não significa aprender sozinho, então com quem aprendemos?

Afinal, os processos educativos contemporâneos acontecem cada vez mais em contextos marcados pela colaboração, pela troca de experiências e pela construção coletiva do conhecimento.

É justamente nesse cenário que o tutor assume outra função fundamental: a de conectar pessoas, experiências e saberes, favorecendo a aprendizagem em rede. É sobre essa importante dimensão da atuação tutorial que conversaremos a seguir.

2.2.3 O tutor como articulador da aprendizagem em rede

Discutimos, no percurso dessa unidade, que a função pedagógica do tutor envolve acompanhar a aprendizagem, oferecer feedbacks, estimular a autonomia e promover a participação dos cursistas. Mas, diante das transformações que marcam a Educação a Distância contemporânea, novas questão merece nossa atenção:

Destaque

Será que aprender significa apenas estudar conteúdos disponibilizados em um ambiente virtual? Ou será que a aprendizagem também acontece quando compartilhamos experiências, dialogamos com outras pessoas e construímos conhecimentos coletivamente?

Se você já participou de uma discussão em que uma contribuição de outro participante ampliou sua compreensão sobre determinado tema, provavelmente percebeu que aprendemos não apenas com os materiais didáticos, mas também com as interações que estabelecemos ao longo do processo formativo. Essa compreensão é cada vez mais relevante na sociedade contemporânea.

Segundo Castells (2022), vivemos em uma sociedade em rede, caracterizada pela circulação permanente de informações, pela conectividade e pela produção coletiva do conhecimento. Nesse contexto, aprender não significa apenas acessar informações. Significa participar de redes de interação nas quais pessoas, conhecimentos, experiências e diferentes perspectivas entram em diálogo.

Se, em outros momentos históricos, os processos educativos eram fortemente centrados na transmissão de conteúdos, hoje sabemos que a aprendizagem se fortalece quando os estudantes têm oportunidades de interagir, colaborar, compartilhar experiências e construir conhecimentos de forma coletiva.

Mas essas interações acontecem espontaneamente? Nem sempre, muitas vezes, um ambiente virtual reúne dezenas ou centenas de participantes que acessam os mesmos conteúdos, mas que permanecem isolados uns dos outros. Nesses casos, existe um curso, mas ainda não existe uma comunidade de aprendizagem. É justamente nesse ponto que a atuação do tutor se torna fundamental.

O tutor atua como articulador da aprendizagem em rede. Ele cria condições para que as pessoas se conectem, dialoguem e aprendam umas com as outras. Isso acontece na prática quando o tutor:

  • estimula a participação nos fóruns e espaços colaborativos;
  • promove o compartilhamento de experiências profissionais;
  • valoriza diferentes pontos de vista e trajetórias dos cursistas;
  • incentiva a construção coletiva de soluções para problemas reais;
  • aproxima pessoas que possuem interesses e desafios comuns;
  • fortalece o sentimento de pertencimento ao grupo;
  • transforma interações pontuais em oportunidades de aprendizagem significativa.

Exemplo

Pense, por exemplo, em uma turma do Programa Formação pela Escola composta por gestores educacionais, conselheiros, técnicos de secretarias de educação e profissionais que atuam em diferentes regiões do país. Cada participante traz experiências, conhecimentos e desafios específicos relacionados à gestão das políticas públicas educacionais.

Quando essas experiências são compartilhadas, os cursistas passam a aprender não apenas com os conteúdos do curso, mas também com as vivências e reflexões dos colegas.

Nessa perspectiva, o tutor atua como alguém que favorece encontros entre saberes, experiências e pessoas.

Moran (2018) destaca que os ambientes digitais ampliam as possibilidades de aprendizagem colaborativa, permitindo que o conhecimento seja construído por meio da interação e da participação ativa dos estudantes. Da mesma forma, Moore e Kearsley (2013) ressaltam que a qualidade da Educação a Distância está diretamente relacionada às oportunidades de interação estabelecidas entre estudantes, conteúdos e instituição.

Isso significa que a atuação tutorial não se limita ao acompanhamento individual dos cursistas. Ela também envolve a construção de espaços coletivos de diálogo, colaboração e troca de experiências.

Em outras palavras, o tutor ajuda a transformar um conjunto de participantes em uma verdadeira comunidade de aprendizagem.

Essa talvez seja uma das dimensões mais potentes da tutoria contemporânea.

Ao conectar pessoas, promover interações e favorecer a circulação de conhecimentos, o tutor contribui para que a aprendizagem deixe de ser uma experiência individual e passe a ser uma construção coletiva, colaborativa e socialmente significativa. E é justamente essa articulação entre acompanhamento, mediação, autonomia e construção coletiva do conhecimento que caracteriza a função pedagógica da tutoria nos cursos do Programa Formação pela Escola.

Encerrando essa unidade podemos dizer que nela você teve a oportunidade de refletir sobre as competências que sustentam a atuação tutorial e sobre a função pedagógica do tutor nos processos de Educação a Distância. Compreendemos que a tutoria envolve muito mais do que acompanhar atividades ou responder dúvidas. Ela exige mediação pedagógica, comunicação acolhedora, uso intencional das tecnologias, acompanhamento da aprendizagem, promoção da autonomia e fortalecimento das interações entre os participantes.

Também vimos que a aprendizagem não acontece de forma isolada. Ela é construída nas relações estabelecidas entre pessoas, conhecimentos, experiências e contextos de atuação. Nesse processo, o tutor desempenha um papel fundamental ao criar condições para que os cursistas participem, dialoguem, compartilhem saberes e construam aprendizagens significativas.

Convidamos você, agora, a analisar uma situação inspirada na prática profissional da tutoria e a refletir sobre os desafios, as possibilidades e as decisões pedagógicas que podem contribuir para fortalecer a participação, a aprendizagem e a permanência dos cursistas.

É hora de aproximar os conceitos estudados da realidade da atuação tutorial.

Para praticar

Prática Profissional

Situação-problema

Durante uma oferta do Programa Formação pela Escola, um tutor percebe que vários cursistas estão acessando os conteúdos, mas poucos participam dos fóruns e das atividades colaborativas.

Ao analisar os registros do AVA, identifica que muitos estudantes acessam os materiais, porém raramente interagem com os colegas.

  • Como você atuaria nessa situação?
  • Que estratégias e ferramentas poderiam ser utilizadas para fortalecer a participação e o engajamento dos cursistas?

Para refletir

A função pedagógica do tutor não se limita ao acompanhamento do acesso aos conteúdos. Ela envolve promover interações, estimular a colaboração e criar oportunidades para que os estudantes participem ativamente dos processos formativos.

Estratégias como mensagens de incentivo, perguntas mobilizadoras, feedbacks personalizados e valorização das contribuições dos cursistas podem favorecer a construção de vínculos e fortalecer a aprendizagem em rede.

Ilustração: cursistas diversos colaborando e aprendendo em rede.

Atividade

Autoavaliação guiada

Chegou o momento de se autoavaliar. Responda às questões sobre a prática da tutoria e receba o feedback automatizado logo após cada resposta.

Em resumo

Síntese da Unidade II

Ao longo desta unidade, refletimos sobre as competências e a função pedagógica da tutoria na Educação a Distância.

Compreendemos que a atuação tutorial envolve a mobilização de competências pedagógicas, comunicacionais, tecnológicas, organizacionais e relacionais.

Também discutimos que a principal função do tutor consiste em mediar a aprendizagem, promovendo acompanhamento, diálogo, feedback, participação e desenvolvimento da autonomia dos estudantes.

Vimos ainda que o tutor contemporâneo atua como articulador da aprendizagem em rede, contribuindo para a construção de ambientes colaborativos e para a permanência dos cursistas nos processos formativos.

Na próxima unidade, aprofundaremos uma temática cada vez mais presente nos contextos educativos contemporâneos: os desafios éticos da cultura digital, da Inteligência Artificial e da integridade acadêmica.

Fonte: Elaborado pela autora com auxílio de inteligência artificial (ChatGPT/OpenAI, 2026), com base em Freire (1996), Moore e Kearsley (2013), Belloni (2015) e Moran, Masetto e Behrens (2018).

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